Praias, montanhas, e muito sol, resultado do clima desértico, são os grandes atrativos das ilhas Canárias, território espanhol a 150 quilômetros da costa norte africana. Uma fonte inesgotável de vitamina D na União Europeia, especialmente para os povos do norte, onde os invernos são bastante rigorosos, frios e escuros. Com temperatura média de 20 graus Celsius positivos durante o ano, as ilhas espanholas atraem, principalmente, turistas escandinavos, alemães e britânicos, ávidos por um lugar ao sol, já que isso é quase uma raridade em seus países nublados e chuvosos, mesmo durante o verão. Aliás, é no inverno europeu que as Canárias vivem o apogeu de sua indústria turística. Enquanto o norte do continente amarga temperaturas constantes abaixo de zero com muita neve e escuridão, nessa parte do mundo o Sol brilha majestosamente todos os dias. Chuvas, parte do cotidiano dos víquingues, celtas e germânicos, quase não caem por ali, tornando o arquipélago um local ideal para férias em qualquer época do ano.

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Dunas entre as praias de Maspalomas e dos Ingleses.

O calor seco que sopra do vizinho Saara, e garante a esse pequeno paraíso dias sem chuva, por outro lado, algumas vezes chega a ser inconveniente. Conhecido como Calima, ou Siroco, o vento seco do grande deserto africano chega tão forte que as dunas das praias movem-se graciosamente, espalham areia por todos os lados, invadem as casas, e encobrem o céu com uma densa poeira, impossibilitando, até mesmo, de se observá-lo. De qualquer forma, não espanta quem deseja aproveitar dias quentes e iluminados em pleno inverno. Albergues, condomínios, hotéis de luxo, a variedade de ofertas a todos os tipos que frequentam as ilhas é imensa. Ali, seguramente, todos encontram um lugar ao sol.

As ilhas Canárias foram o primeiro experimento espanhol de colonização antes da conquista da América. Foi ali que os ibéricos testaram seu modelo exploratório a ser adotado em suas futuras colônias americanas: subjugação das populações nativas, com extermínio e escravização, e implantação de monoculturas agrícolas de cana de açúcar e tabaco, entre outros.  São conhecidas desde os tempos do Império Romano, séculos antes dos castelhanos, donde receberam o nome, devido ao grande número de cães encontrados nas ilhas. Algumas raças locais ainda são bem populares e, claro, o símbolo do arquipélago são eles.

Atualmente, é um dos destinos mais visitados na Espanha. O preservado patrimônio histórico, as paisagens desérticas no litoral e nas montanhas, algumas belas praias e a garantia de que não choverá, são os atraentes chamarizes. Mas é no inverno no continente europeu que as ilhas recebem mais turistas, por não terem concorrência de outras regiões, principalmente as mediterrâneas. As crises nos países norte africanos afugentaram muita gente nos últimos anos e também têm contribuído para o aumento do turismo nas Canárias.

A capital do arquipélago, Las Palmas de Gran Canária, é uma preciosidade à beira-mar. Uma pequena metrópole voltada ao turismo, com centenas de restaurantes, bares, cafés, hotéis e casas e apartamentos de veraneio. Praças arborizadas e elegantes, um vasto e conservado patrimônio histórico arquitetônico misturado com edifícios bastante modernos, e diversos calçadões garantem à cidade uma atmosfera confortável e acolhedora. O movimentado centro comercial é facilmente percorrido a pé, assim como parte de sua orla, cercada por um grande muro de contenção, que a separa do Atlântico. As praias locais estão mais afastadas dali, ao norte, e são muito apreciadas por residentes e visitantes.

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Arquitetura eclética de Las Palmas de Gran Canária.

Castelhano, inglês e alemão são as línguas mais comuns no comércio local. Produtos vindos de países do norte europeu são facilmente encontrados em supermercados e restaurantes e casas noturnas com nomes nos idiomas de Goethe e Shakespeare são muito comuns. Anúncios, em alemão, de serviços médicos, cursos de sueco, pizzerias italianas, restaurantes gregos, espanhóis, argentinos, brasileiros e, pasmem, canários; o caldeirão cultural se mistura harmoniosamente na pequena ilha. E todos se divertem, afinal de contas, é para isso que muitos estão ali. Festas em hotéis ou condomínios fechados são quase que constantes em alguns locais, como Maspalomas, o ponto mais fervido de todos em Gran Canária.

Localizado no sul da ilha, no município de San Bartolomé de Tirajana, o resort tournou-se um dos locais mais disputados da ilha. Centenas de hotéis, condomínios e edifícios com apartamentos de veraneio dividem espaço com lojas, bares e restaurantes. Neste agitado canto , encontra-se um dos locais mais gays da Espanha, o centro comercial Yumbo. Uma enorme área repleta de possibilidades diurnas e noturnas. Quando o sol brilha, o movimento fica por conta das dezenas de lojas, farmácias, supermercados, restaurantes, etc. Sob a luz do luar, ou do brilho das estrelas, bares, cabarés, saunas e discotecas movimentam o espaço. Embora muitos não sejam exclusivamente gays, a grande maioria dos estabelecimentos é voltada a esse público, que retribui a oferta, tornando Maspalomas um dos locais mais famosos e disputados do arquipélago.

Não apenas as praias são cobiçadas, mas também o interior das ilhas, com suas formações vulcânicas, seus belíssimos vales e montanhas. No interior de Gran Canária, um clima bucólico ainda paira no ar, como se o mundo tivesse estancado no tempo há uns 20 anos. Dezenas de pequenas cidades e vilarejos se escondem entre as montanhas e se debruçam nos penhascos. Locais exuberantes, tanto pela natureza quanto pela bela arquitetura. Tranquilos, já que o grande movimento das áreas costeiras não se repete por essas bandas, devido ao difícil acesso. Mogán, San Bartolomé de Tirajana,  Tejeda, Teror e Arucas, entre outros, não podem ser esquecidos. O passeio pelas estreitas e sinuosas estradas do interior da ilha é, por si só, uma grande aventura e, chegar nessas cidades, tão distintas da agitada e cosmopolita atmosfera do litoral, é uma ótima experiência. Os locais, já acostumados com visitantes, contribuem com muita simpatia, o que torna o passeio ainda mais atraente.

O inverno nunca chega nas ilhas Canárias e a chuva é uma visitante muito esporádica. As belas paisagens litorâneas e montanhosas, no interior das ilhas, formadas por antigos vulcões, são a combinação perfeita para atrair muitos visitantes e garantir um passeio inesquecível. Seja para descanso, aventura ou badalação, as ilhas Canárias oferecem um pouco de tudo a todos, o ano todo.

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Rua central de Teror, uma das diversas charmosas cidades no interior de Gran Canária.
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