Porto é uma das mais charmosas cidades europeias, além de uma das mais antigas. Tem um passado arquitetônico preservado, o que lhe garantiu o título de Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1996. Caminhar por suas ruas estreitas e sinuosas, subir e descer suas ladeiras, andar pelos passeios na margem do Rio Douro, percorrer suas pontes e apreciar a vista da cidade que se esparrama pelas colinas, há muito o que se ver na segunda maior cidade portuguesa.

O nome Portugal, aliás, tem origem nesta parte do país. Os romanos a chamavam de Portus Cale, uma mistura de latim e celta, seus predecessores na conquista do norte da península Ibérica. Desde então, o Porto tornou-se um importante centro industrial e comercial, devido à sua estratégica localização na foz do Douro, e manteve este status até os dias atuais.

Fundada por povos celtas, tomada por romanos, ocupada por mouros, reconquistada pelos ibéricos e invadida por germânicos, entre tantos conflitos; essa essa sucessão de povos lutando para controlar o local deixou na cidade marcas até a atualidade. Foi apelidada de a Invicta, por não se render às forças do infante Miguel, irmão mais novo de D. Pedro I, na disputa pelo trono português, entre 1832-1834. No Porto, também, foi consolidada a mais antiga aliança militar que se tem notícia atualmente, entre Portugal e Inglaterra, com o casamento de D. João I, rei de Portugal, e Filipa de Lancaster, realizado em 1387. Amizade longa, duradoura, que abriu as portas, e os portos ingleses, para o produto mais famoso da cidade, o vinho do porto. Nas margens da vizinha Vila Nova de Gaia, do outro lado do rio, estão os armazéns de onde saíam o vinho português para as mesas de todo mundo, além de azeite e cortiça. Alguns galpões, abandonados ou em ruínas, desnudam a avassaladora crise econômica que o país vem passando há anos. Outros, luxuosamente, estão de portas e adegas abertas para receberem turistas curiosos apreciadores do produto ou de sua história.

O barroco português tem em Porto um de seus mais expressivos expoentes. Por não sofrer com o terremoto que destruiu lisboa em 1755, a cidade apresenta um patrimônio arquitetônico mais antigo que a capital. Casario e igrejas são, por si sós, grandes atrações. Com o passar dos tempos, outros estilos foram sendo adicionados ao mobiliário urbano, dando uma característica bastante eclética. Edificações suntuosas, construídas ao longos dos séculos, do barraco ao neoclassicismo e ao modernismo, somando mais beleza.

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Avenida dos Aliados e prefeitura do Porto

O ponto de partida para a apreciação arquitetônica da cidade é a Praça da Trindade, local de chegada do trem que parte do aeroporto. Descendo no sentido centro, estão algumas das construções mais bonitas e impontentes, como a Igreja da Trindade, em estilo neoclássico do século XIX. Mais adiante, na Avenida dos Aliados, encontram-se a prefeitura, ou Paço do Concelho, dominando a paisagem com sua ornamentada fachada e torre, o Palácio dos Correios, os edifícios da Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe, do Capitólio, do Jornal de Notícias, do Banco do Funchal (BANIF), antiga sede do Jornal do Comércio do Porto, e do Banco Caixa Geral de Depósitos, todos construídos entre 1925 e 1952, tornando o local o centro comercial e midiático de Porto. Mais adiante, na Praça da Liberdade, outras belas construções se juntam a esse deleite visual. No começo da praça, entre tantas fachadas que merecem muita atenção, está também a estátua de D. Pedro IV, o D. Pedro I do Brasil, herói da cidade na luta contra as forças absolutistas de D. Miguel.

Nas proximidades, algumas das maiores atrações portuenses, cada uma de um lado da Praça da Liberdade. Pela direita, segue-se para a Igreja dos Clérigos, passando pela simpática Praça de Lisboa, com lojas de grife em sua parte subterrânea. A Igreja, construída entre 1732 e 1779, seu museu, e sua suntuosa torre são visitas quase que obrigatórias. É uma das poucas igrejas no mundo onde se pode caminhar pelos corredores laterais e se ter uma outra perspectiva do local. Da torre, tem-se a melhor vista panorâmica da cidade. Para chegar lá em cima é preciso subir 240 degraus em uma escada em espiral que, embora seja um desafio para alguns, é um sacrifício muito bem recompensado.

Do outro lado da praça está a Livraria Lello & Irmão, a mais famosa do país, e uma das mais antigas, com seu impressionante interior, inspirador da livraria dos livros do Harry Porter.

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Azulejos da Igreja das Carmelitas

Ao lado da Praça da Liberdade, está a Praça dos Leões, uma imensa área aberta, toda em paralelepípedo, e endereço da Universidade do Porto e da Igreja dos Carmelitas e sua lateral de azulejos azuis que se misturam com o a cor do céu em dias ensolarados. Nas redondezas, muita gente para todos os lados, já que a área, uma das mais altas do Porto, também abriga parques e jardins, hospitais, e muito comercio.

Se a opção for seguir pelo sentido esquerdo da praça, a surpresa já está logo na esquina, com a Igreja de Santo Antônio dos Congregados, e sua fachada toda azulada, e com a Estação São Bento. Tanto exteriormente quanto interiormente, uma jóia da arquitetura portuguesa.

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Estação São Bento e, ao fundo, Igreja de Santo Antônio dos Congregados

Na direção do rio, seguindo pela Avenida Dom Alfonso Henriques, chega-se à Igreja Sé do Porto, a catedral da cidade e mais imponente de seus templos católicos, de onde, mais uma vez, a vista da cidade é de tirar o fôleg.

Passando por ela, segue-se o caminho para o cartão postal mais famoso da cidade, a Ponte Luís I, projetada por August Eiffel, de onde se tem uma fantástica vista do Rio Douro e das colinas onde Porto foi erguida, da Ribeira, local mais turístico, das ruínas das antigas muralhas medievais que cercavam a cidade, e das outras pontes, tão imponentes sobre o rio quanto a que se está sobre.

Ao cruzá-la, chega-se a Vila Nova de Gaia, e ao Mosteiro da Serra do Pilar, de onde se pode apreciar a paisagem em seus bancos. Em frente ao mosteiro, no Jardim do Morro, está o teleférico que liga o alto da cidade à sua parte baixa. Se o tempo for curto ou, por qualquer outro motivo, aconselha-se a fazer a viagem. Mas, se a ideia é deixar-se encantar pelas surpresas constantes, a caminhada é a melhor maneira para se observar esta parte da cidade. É nela que estão os famosos galpões e adegas de vinho do Porto, de onde sai o sabor e a fama locais para o resto do mundo. Ao ir descendo as estreitas ruas de pedra, a paisagem vai se modificando lentamente. Sai o rio e aparecem apenas telhados e ruínas. Depois, fachadas e uma movimentação intensa de pessoas, até se voltar ao rio, agora, logo ali, na frente de qualquer um.

Na margem portuense do rio, a Ribeira é o ponto mais turístico, com centenas de cafés, restaurantes e bares para todos os gostos e bolsos. Estão lá, também, boa parte do mobiliário urbano que caracteriza a cidade, prédios históricos, igrejas. Há de haver muita disposição para subir e descer ladeiras, ler os textos explicativos nas fachadas, observar os seus riquíssimos detalhes. Da frente da Igreja Monumento de São Francisco,  sai um bondinho que percorre toda a margem do rio e segue no sentido da praia da cidade. Um passeio muito agradável, que facilita a locomoção para quem não tem muito tempo.

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O Porto iluminado visto do Miradouro da Vitória

À noite, o Porto é tão impressionante quanto durante o dia. Dentre os diversos locais de observação, o mais interessante, talvez, seja o Miradouro da Vitória. Embora seja um pouco escuro, com uma aparência de estar abandonado e com muita sujeira, garrafas que pessoas deixam para trás, tem-se um ângulo completamente diferente da cidade, que se esparrama pela colina abaixo, e seus monumentos iluminados.

Há muito o que ser explorado na cidade. Museus, adegas, passeios de barco, praias, igrejas, parques. A lista é grande e, para se aproveitar ao máximo, é necessário bastante tempo. Mesmo tendo um centro expandido relativamente pequeno, há muitas ladeiras e vielas que desafiam o relógio e tornam qualquer passeio lento.

A cada rua, a cada esquina que se vira, fica muito fácil entender porque o Porto é patrimônio da humanidade. A cidade é de uma beleza inquestionável, fácil de ser adjetivada, embora há muitas construções em ruínas ou em péssimo estado de conservação. De qualquer modo, nada disso tira a fascinação que exerce em seus visitantes e o orgulho que provoca em seus moradores.

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