Lisboa é uma daqueles lugares que todos que podem deveriam conhecer. Uma cidade vibrante, com milhares de opções nas áreas cultural e gastronômica, simples e sofisticada, com um patrimônio arquitetônico de dar inveja a muitas outras capitais europeias e, para melhorar, contém muitos laços históricos com o Brasil. Mesmo com a crise econômica que Portugal enfrenta nos últimos anos, a maior cidade do país vai se reinventando e criando oportunidades e vem se destacando como uma das cidades mais criativas da Europa. Os baixos custos, comparados com outras capitais do continente, além de incentivos governamentais, têm atraído para lá incontáveis artistas, start ups e investimentos em diversos setores. Seu apelo turístico também cresce a cada ano e, em 2015, foi eleita a 11ª cidade mais popular do mundo na relação qualidade-preço, segundo o site de busca de hotéis trivago em sua pesquisa Best Value City Index 2016 – Popular Destinations.

Encantar-se com Lisboa é a grande certeza para quem a visita e, por isso, ela está cada vez mais na moda. A cidade não é muito grande, mas há que se percorrer boas distâncias, subir e descer ladeiras bastante íngremes para poder aproveitar um pouco de suas inúmeras atrações. O próprio deslocamento já é, por si só, uma viagem no tempo. Pelas antigas ruas lisboetas, trafegam alguns dos mais antigos bondes da Europa. Ir de um ponto a outro nestes nostálgicos eléctricos, como são chamados por lá, é uma diversão e tanto. Passam em praticamente todos os lugares de interesse turístico e servem, assim, não apenas como um excelente meio de transporte, mas também como parte do patrimônio que a cidade tem a oferecer aos seus visitantes. Seja nas partes baixas ou para subir algumas das ruas com maior aclive, o bonde de Lisboa torna o passeio muito mais aconchegante e menos cansativo.

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Vista do elevador Santa Justa, ou do Carmo.

Uma das capitais mais antigas da Europa, Lisboa tem sua idade praticamente indefinida. Conhecida dos Fenícios e Gregos, há uma lenda de que teria sido fundada por Ulisses em sua odisséia, e que ela seja mais antiga que Roma, centro do império que a dominou por séculos. Ao longo do tempo, diversos povos a conquistaram, entre romanos, visigodos e mouros. Foram milênios de transformações, das causadas pelo homem e, também, pela natureza, como terremotos que a avassalaram nos últimos séculos, sendo o mais recente em 1755 que, praticamente, destruiu toda a cidade. Foi reerguida sobre o comando do Marquês de Pombal graças às riquezas provindas do vasto império português, especialmente do outro das Minas Gerais, no Brasil, e manteve grande parte de suas características que aprenda atualmente.

Talvez uma das mais marcantes construções do renascimento de Lisboa após o terremoto é a imensa Praça do Comércio, conhecida como Terreiro do Paço, à margem do rio Tejo, onde se concentram alguns dos edifícios mais bonitos da cidade e seu emblemático Arco Triunfal, portão de entrada para a parte baixa da cidade. Passando por ele, e seguindo-se pela rua Augusta, Lisboa apresenta-se ao longo deste longo calçadão. É essa belíssima área que conecta os bairros que se esparramam pelas colinas que a margeiam. De um lado, a Alfama, com suas imponentes igrejas, palácios, mirantes e um dos destinos mais visitados da cidade, o Castelo de São Jorge. De outro, o Bairro Alto, com seus miradouros, praças e sua intensa vida noturna.

Com tantos sobes e desces, distribuída entre vales e morros, Lisboa foi se adaptando e tornou-se a cidade dos elevadores. Já foram nove no passado, mas somente quatro restaram, sendo o da Santa Justa o mais conhecido de todos, por estar na área mais central da Cidade das Sete Colinas, como é apelidada.

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Lisboa vista do alto, com destaque à praça do Rossio.

Seguindo a rua Augusta, chega-se à praça do Rossio, um dos locais mais movimentados da cidade baixa, com suas belas fontes e sempre observado pela estátua de D. Pedro IV, o D. Pedro I do Brasil. Ao lado, a praça da Figueira, ponto de partida de algumas linhas de bonde que sobem as colinas do Bairro Alto e da Alfama, como o eléctrico 28. Ao lado do Teatro Nacional, na ligação entre o Rossio e a praça dos Restauradores, encontra-se a Estação do Rossio, uma das mais bonitas estações ferroviárias de Portugal. Da praça dos Restauradores, a avenida Liberdade, a mais arborizada e elegante da cidade, e suas magníficas construções, algumas sedes das grifes mais famosas do mundo e de hotéis de luxo, com seus passeios de pedras portuguesas e lindos mosaicos, segue-se, num suave aclive, à praça Marquês de Pombal, uma grande rotatória com sua esplêndida coluna, de onde a estátua do estadista lusitano, acompanhado de um leão, observa toda a cidade baixa. Ali, inicia-se o Parque Eduardo VI, bastante interessante e com uma das vistas mais bonitas de Lisboa, por propiciar uma visão clara de praticamente todo esse eixo que desce até o Terreiro do Paço. Dali, um pôr-do-sol em Lisboa é pura poesia.

Aliás, dentre suas centenas de atrações, seus miradouros estão entre as mais atraentes. Vários deles estão espalhados pelas colinas que formam a cidade. Alguns são mais conhecidos, por estarem em pontos estratégicos de grande movimentação, como os da Porta do Sol e o de Santa Luzia. Está, ali, a igreja dedicada à mesma santa, com sua simplicidade caiada em harmonia com a paisagem e ladeada pelo pelo jardim Julio de Castilho. Outros, um pouco mais discretos, quase escondidos entre as ruelas lisboetas, como o Miradouro de Santa Catarina, no Chiado, do outro lado do vale. Na mesma colina onde estão o Chiado e Rato, áreas bem conhecidas por suas ruas estreitas e sinuosas, praças bem charmosas e intensa vida noturna, mas um pouco mais distante, o destaque é para o Miradouro de São Pedro de Alcântara e sua praça arborizada, além da bela vista que se tem do outro lado da cidade e do Castelo de São Jorge. Destas encostas pode-se observar toda a beleza dos casarões, das praças, ruas, avenidas, pontes e do rio Tejo.

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Não muito distante dali, situa-se belíssima praça Luís de Camões. Seu calçamento, a grandiosa estátua do poeta português e um quiosque com quitutes lusitanos são ótimos convidativos para uma parada no local. Um pouco abaixo, a poucos metros, está o mais famoso café de Lisboa, A Brasileira, lugar preferido do escritor Fernando Pessoa. E lá está outra estátua, bastante requisitada por turistas para fotos. Este cantinho é o mais poético de Lisboa e reverencia dois dos maiores nomes da literatura lusófona.

Aproveitando esta parte da cidade, basta baixar o morro e, após alguns minutos de caminhada, chega-se novamente à margem do Tejo, no Cais do Sodré, onde situa-se a estação ferroviária e metroviária de mesmo nome, ponto de partida para outras localidades, como Estoril, Cascais e Sintra, grandes pólos turísticos não muito distantes de Lisboa. Na frente da estação, o antigo mercado da Ribeira, hoje revitalizado e transformado numa imensa área gourmet onde novos talentos da culinária portuguesa apresentam suas criações a preços bem acessíveis.

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Calçadão à beira do Tejo em Belém.

Na frente do mercado passa o bonde número 15, passando sob a ponte 25 de Abril, sentido Belém, local dos mais conhecidos cartões-postais de Lisboa. Mosteiro dos Jerônimos (e suas intermináveis filas para entrar), Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém são as estrelas deste cantinho lisboeta entre a foz do Tejo e o Oceano Atlântico. Uma ótima área para se perder no tempo e aproveitar as belezas de cada monumento, jardim, construções, museus e, claro, do suntuoso rio. Fica, também nesta área, uma das atrações mais interessantes da cidade, a doceria Pastéis de Belém, local que renomeou os famosos quitutes portugueses, os pastéis de nata. Ali estão os melhores pastéis da cidade e, por isso mesmo, criou-se a fama que atravessou fronteiras e tornou seus doces sinônimo da iguaria lusitana.

Capital mais a oeste e a única banhada pelo Atlântico na Europa, o leque de possibilidades para se aproveitar a cidade é muito grande. Além das tradicionais áreas turísticas, Lisboa ganhou uma nova atração em 1998, em sua parte mais oriental, com a construção do Parque das Nações, local da Expo 98. Um enorme complexo transformado em uma das maiores áreas de lazer da capital portuguesa, sede do maior aquário do mundo e de diversas atividades culturais. Pode-se percorrer os quase 5 Km da área andando ou com o teleférico, que se extende por 1.230 metros a 30 metros de altura e propicia uma excelente vista do Tejo e do próprio parque.

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Casario azulejado, uma das características mais marcantes da arquitetura portuguesa.

Encontrar um lugar para comer não é um problema neste pedacinho do mundo. Há centenas de restaurantes, padarias, docerias, quiosques e supermercados por todos os cantos. Gostosuras lusitanas, brasileiras, vinhos, tudo muito acessível. Muitos deles ficam abertos até bem tarde da noite. Ficar com fome por falta de opção é uma preocupação quase inexistente para quem está em Lisboa.

A noite lisboeta chega a surpreender. Incontáveis restaurantes, bares, teatros e casas noturnas atraem milhares de pessoas. As estreitas ruas do Bairro Alto ficam ainda mais apertadas com tanta gente. É um vai e vem intenso, com algumas ruas bloqueadas pela multidão que se diverte do lado de fora dos estabelecimentos. A cidade, movimentadíssima durante do dia, entra em êxtase à noite.

Beleza, história, cultura e diversão são os ingredientes que fazem de Lisboa uma das cidades mais badaladas da Europa. Fácil locomoção, preços baixos, sofisticação e simplicidade, somados à simpatia dos lisboetas, tornaram a cidade um local imperdível para os viajantes que desejam aproveitar ao máximo a capital portuguesa.

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Estátua de Fernando Pessoa no Chiado.

Fernando Pessoa, através seu heterônimo Bernardo Soares, relatou a vida por lá como ninguém. Em sua relação de amor que mantinha com a cidade, o mais famoso poeta lisboeta escreveu: “Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão”. Contudo, é fácil chegar a uma conclusão, a de que Lisboa é uma cidade imperdível.

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