Sensação do último campeonato europeu de futebol, a UEFA Euro 2016, com seu esforçado time e sua vibrante torcida, a Islândia vem atraindo cada vez mais a atenção do mundo. Suas belezas naturais e a simpatia de seu povo tornaram o país um dos mais procurados destinos turísticos dos últimos anos. Somente em 2015, a ilha de aproximadamente 304 mil habitantes recebeu mais de 1,3 milhão de turistas estrangeiros, segundo o Icelandic Tourism Board, e as expectativas para este ano são ainda maiores. O número total de passageiros no maior aeroporto da ilha, Keflavík, é estimado em 6,25 milhões.

A ilha-nação também chamou a atenção do mundo por ser considerada o lugar mais pacífico do mundo em 2016, segundo o Institute for Economics & Peace. Somando a isso, também foi considerada pelo Women’s Travel Center (Centro de Viagens Internacional das Mulheres) como o mais seguro para mulheres viajantes, além de estar entre os mais competitivos países no turismo, segundo o Fórum Econômico Mundial em seu relatório anual Relatório de Competitividade em Viagem e Turismo, ficando em 18a posição neste ano, após conseguir o primeiro lugar em 2013. Sem contar um dos principais fatores pelos quais turistas estão abarrotando as principais atrações da ilha de 103 mil Km2, um pouco maior que Pernambuco: é um dos cenários das gravações de Game of Thrones, a série que virou febre mundial nos últimos anos e atraiu olhares curiosos para a singularidade geográfica da ilha.

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Geleiras se misturam com as nuvens num dia de inverno na Islândia.

Sobrevoar a Islândia já demonstra um pouco do que o país tem a oferecer. Da janela do avião, pode-se ver os glaciares e vulcões que são referências quando se fala de lá. Aterrissar nesta distante ilha, encravada entre as placas tectônicas norte-americana e eurasiática, é como estar pousando em um planeta de filmes de ficção científica. Ao sair do aeroporto, percebe-se o forte cheiro de enxofre, do qual se habitua com o passar do tempo, e que permanece no ar por quase todos os lugares e na água de torneiras e chuveiros. O trajeto entre Keflavík e Reykjavík, a capital do país, de aproximadamente uma hora, é uma viagem para nunca ser esquecida. A planície pelada e escura, forrada de lava vulcânica, com diversos vulcões ao fundo dão a sensação de se estar num outro mundo muito distante.

A Baía Esfumaçada, tradução de Reykjavík para o português, concentra praticamente tudo no país. A área metropolitana da capital islandesa, com 300 mil habitantes, é a casa de cerca de dois terços de toda a população da ilha. Um passeio por suas ruas estreitas é um atrativo prazeroso, por ser possível observar suas casas coloridas, estátuas, e bela arquitetura, misturando estilos tradicionais e contemporâneos. Por ser uma cidade relativamente pequena, caminhar é a melhor opção, mesmo nos dias frios e escuros do inverno islandês. O centro é compacto e oferece de tudo, de hotéis a farmácias, supermercados, lojas de conveniência, bares, restaurantes e elegantes lojas de roupas, acessórios e decoração.

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Igreja Hallgrímskirkja e sua interessante fachada.

No ponto mais alto do centro da cidade, impõe-se a igreja de Hallgrím (Hallgrímskirkja), com sua fachada que lembra um vulcão com a lava escorrendo. No topo de sua torre, a 73 metros de altura,  têm-se uma exuberante vista panorâmica em 360 graus. É o melhor lugar para se observar a paisagem gélida, que deu nome ao país, e as coloridas casas islandesas, principalmente seus telhados, que não são facilmente visíveis quando se anda pelas ruas.

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Vista parcial do centro de Reykjavík.

Diversos bares e cafés estão espalhados pelas as ruas do centro. Restaurantes também não faltam, com culinária caseira típica do país, baseada em peixes, frutos do mar e cordeiro, e outros com sabores internacionais. Como em qualquer cidade do mundo, basta observar para ver qual o tipo de local cabe no orçamento e no gosto de cada um. Os preços não são baratos por lá, por isso, é aconselhável pesquisar bem. Há diversos guias que podem orientar o turista sobre onde ir, o que encontrar, etc., mas uma breve caminhada pela cidade é mais do que suficiente para se escolher o melhor lugar de acordo com as preferências individuais, já que a área central não é muito e grande parte destes estabelecimentos estão a pequenas distâncias.

De Reykjavik, há uma grande oferta de passeios pelas redondezas. Entre eles, o Golden Circle Tour (Círculo Dourado), talvez o mais famoso, por estar estampado em praticamente todos os guias de viagem e nas vitrines das agências de turismo da cidade, e contém visitas a alguns dos mais interessantes locais da Islândia não muito distantes da capital, ideias para passeios de um dia. Após uma viagem de aproximadamente uma hora, ótima para se apreciar as diversas paisagens da ilha, como sua rochosa formação, suas montanhas, vulcões ativos e inativos e  planícies de tundra, chega-se ao famoso Geysir, um dos destaques turísticos da Islândia. Ali, além da beleza e divertida observação das águas ferventes sendo expelidas do interior da terra, há também um enorme restaurante e loja de suvenir, com praticamente tudo que a cultura e a culinária islandesa têm a oferecer.

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A catarata Gullfoss no inverno, com suas águas quase congeladas num belo espetáculo natural.

No caminho de volta à capital, uma paradinha para observar a Gullfoss, a mais famosa catarata do país. No rigoroso inverno islandês, suas águas ficam quase praticamente congeladas e o espetáculo é garantido. O frio e o vento, além de nevascas, podem deixar o passeio um pouco mais gélido, porém, nem um pouco menos interessante. O caminho para se chegar à catarata é bom e não apresenta muitos obstáculos. Um reflexo do investimento que a Islândia tem feito no últimos anos para atrair mais turistas, já que o setor é, atualmente, responsável por quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Seguindo o percurso, uma merecida pausa no Spa Fontana Laugarvatn, com suas piscinas de águas quentes e diversas saunas, ao lado do enorme e belíssimo Lago Laugarvatn, bem mais gelado. Um contraste de temperaturas admirado por muitos. Pode-se se aquecer nas piscinas geotermais do spa e, em questão de segundos, já que estão lado a lado, quase congelar na água fria desse imenso lago.

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Local onde América e Eurásia se separam.

No fim do programa, uma parada no Parque Þingvellir, onde se pode caminhar pela fissura que divide as placas tectônicas da Eurásia e América do Norte e apreciar a beleza da planície e montanhas que o cercam. Um lugar muito interessante, uma vez que a Islândia é uma ilha que continua crescendo. A cada ano, as placas tectônicas se separam cerca de 1 milímetro. De um lado, a América, do outro, a Europa. Foi neste mesmo local que, em 930, reuniu-se um dos primeiros parlamentos europeus. O nome do local, Þingvellir, significa Campo das Assembléias, pelo fato de que era nessa planície que o povo islandês se reunia anualmente para decidir questões importantes para o país. Um pouco mais distante, está a gruta com o mesmo nome, um dos melhores lugares do mundo para mergulho. Um local importante para a história islandesa e, atualmente, para o turismo.

Embora a Islândia seja a terra do gelo, como o próprio nome do país indica, apresenta um clima menos frio que em muitas partes da Europa, da América do Norte e da Ásia. A atividade vulcânica na ilha, onde ainda há diversos deles em atividade, o que também lhe daria o apelido de Terra do Fogo, também é responsável pela formação de diversas fontes termais brotando por todos os cantos. Aproveitando toda essa energia, a Islândia produz sua eletricidade, sendo um dos países mais limpos na geração de energia. Mas não é apenas assim que usufruem de suas quentes águas, aquecidas pela lava que flui no subsolo,  há vários clubes termais e spas espalhados pelo país. A Lagoa Azul talvez o mais conhecido deles e destaca-se pelo impressionante azul turquesa de suas piscinas, em um fascinante contraste com a cor escura das rochas vulcânicas. Além do sofisticado spa, conta ainda com o restaurante Lava, que serve a deliciosa cozinha local, onde a culinária islandesa e internacional são as grandes estrelas, com destaque para pratos à base de salmão e frutos do mar.

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Lagoa Azul, um dos spas mais conhecidos do país.

Os amantes de animais ainda podem optar por outros passeios, como o de observação de aves nas costas e falésias da ilha, o a cavalo, galopando na raça característica do país, e pelo passeio marítimo para a observação de baleias e golfinhos. No porto de Reykjavík há diversas empresas que oferecem o serviço. Não é totalmente garantido avistar os mamíferos, mas vale pelo excitamento de se poder vê-los, quando ocorre, e pela navegação pela  baía de Reykjavik.

Os mais aventureiros podem optar por passeios de helicóptero, rafting, escaladas nas geleiras do país, mergulho e trekkings, entre outras opções para o verão, enquanto, no inverno, esqui e passeios de snowmobile são os mais divulgados. Tudo dependerá da temporada, mas uma coisa é certa, a Islândia oferece atrativos durante todo o ano.

A vida noturna de Reykjavik vai além dos diversos bares e da grande movimentação nas ruas centrais e na marina, locais onde estão concentrados os bares, restaurantes e discotecas da cidade, e um dos mais esperados e procurados passeios é o para admirar a aurora boreal. As luzes, visíveis entre outubro e março, colorem os céus da ilha durante a noite. Da própria cidade é possível observá-las, mas é longe da iluminação das ruas que se podem avistá-las com mais clareza e beleza. É preciso, porém, ter sorte e contar com um bom tempo, sem nuvens. Caso contrário, melhor se aquecer em algum bar e aproveitar para fazer amizades e se divertir.

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Hjartagardurinn (Parque Heart), no centro da cidade. Antigo ponto de encontro de skatistas e   e principal área grafitada de Reykjavík, demolido em 2014 para a construção de um hotel.

Não são só belezas naturais e agitos noturnos que movimentam a terra de Björk. A Islândia foi a grande responsável pela preservação da cultura nórdica, e foram autores locais que perpetuaram histórias sobre a mitologia nórdica, através das sagas, palavra de origem islandesa, e sobre os primeiros povoamentos europeus na América, muito antes de Cristóvão Colombo pisar no continente. Diversos museus contam parte destas fascinantes histórias, com destaque para o Museu Nacional da Isândia. Pequeno, relata a trajetória de alegrias e desgraças que acompanharam os islandeses durante os mais de mil anos desde que os primeiros colonizadores chegaram à ilha e suas batalhas para sobreviverem entre o gelo e o fogo, o frio e a lava. O Vikingaheimar (Museu Nacional Viking), é dedicado a esses lendários guerreiros nórdicos, o Museu da Saga, e o Museu Falológico da Islândia, o único do mundo dedicado ao pênis, são outros grandes destaques para se conhecer melhor a cultura do país.

Nas ruas, uma intensa atividade de artistas urbanos e seus murais e pinturas espalhados pelas paredes da cidade. Há uma grande variedade de estilos e tamanhos, e visualiza-los é bastante fácil, embora alguns belos trabalhos estejam em becos ou passagens entre as construções. O mais emblemático local para o grafite islandês, um tipo de Beco do Batman local, foi o Parque Heart, entre as ruas Hverfisgata e Laugavegur, que, infelizmente, foi  demolido em 2014, para a construção de um hotel. A arte urbana, porém, sobrevive em outros pontos da cidade.

Uma ilha pequena, uma capital que se pode conhecer a pé e um povo mais do que acolhedor. A Islândia faz jus à fama de ser um local amigável e, com isso, chama a atenção de gente de todos os cantos do mundo. Grandes oportunidades de lazer, diversão e cultura nessa pequena ilha dividida entre dois continentes.

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Passeios de barco para avistar baleias e golfinhos são um dos atrativos locais.

Com certeza, uma viagem mais do que recomendada e, como muitos turistas dizem, deixa um gostinho de quero-mais. É um lugar para ser apreciado em qualquer época do ano e surpreender qualquer um.

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