Buda-Danúbio-Peste. Nesse triângulo amoroso, a capital da Hungria desponta como uma das mais charmosas e bonitas cidades da Europa. Entre tantos apelidos, Rainha do Danúbio é a que mais a distingue de outras urbes cortadas pelo majestoso rio que as separa e as une. Da junção física de Óbuda (Buda Antiga, em húngaro), Buda e Peste, nasceu essa magnífica cidade.

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Castelo de Buda visto de Peste

Quase uma novata entre as milenares cidades do Velho Continente, Budapeste, com apenas 141 anos, vem se transformando rapidamente, sem perder sua própria identidade. Mas não se deixe enganar, as três áreas urbanas, ainda separadas, são antiquíssimas, datando dos tempos do Império Romano. Suas ruas abrigam histórias seculares: desde ruínas romanas à influência da ocupação turca, dos frangalhos do Império Austro-Húngaro e das duas guerras mundiais à frenética renovação que está passando desde o fim da era comunista, Budapeste permanece exuberante.

Conhecê-la é um exercício para lá de prazeroso, vivenciá-la é uma arte. Suas ruas estreitas, largas avenidas, imponentes construções e estonteantes pontes, além do próprio Danúbio, conferem à essa movimentada metrópole o título de uma das capitais mais agitadas do Leste Europeu. Para entender Budapeste, é preciso mergulhar na história do povo magiar, fundador da Hungria (ou Magyarország, “País Magiar” em húngaro), saborear as delícias da culinária local e ouvir suas belíssimas canções. E é preciso muito cuidado para não se apaixonar à primeira vista, ou à primeira garfada.

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Nagycsárnok, o grande mercado da cidade com seu telhado colorido.

Na margem esquerda do rio Danúbio estão Óbuda, com suas belas ruínas romanas e sua vida pacata, e Buda, aristocrática sobre as colinas, sempre a olhar o Danúbio e Peste. Alguns dos mais visitados pontos da cidade ficam ali. Da Colina do Castelo, pode-se observar toda Peste e a imensidão plana que a acompanha, e o Danúbio, deslizando sobre seus pés. É neste local que se encontra o antigo palácio real, transformado na Galeria Nacional Húngara, um dos melhores museus da cidade para conhecer a história magiar do ponto de vista de seus grandes artistas e, também, para entender como viveu, durante séculos, a nobreza da região. Nesta parte de Buda está também a antiga cidade imperial, ou bairro do Castelo, com suas ruas estreitas, hoje abarrotadas de lojas, hotéis e restaurantes luxuosos. Quem foi raínha, nunca perderá a majestade. Buda era a casa da nobreza húngara e continua, nos tempos modernos, o lado mais sofisticado.

Nessa pequena e simpática parte da cidade, além do palácio estão construções importantíssimas e belíssimas como o Bastião dos Pescadores, um dos mais interessantes mirantes locais. Outra construção de tirar o fôlego é a Igreja de Nossa Senhora, mais conhecida como Igreja Matias, com seu telhado colorido e sua arquitetura eclética, construída, modificada, aumentada e restaurada no decorrer de quase quatro séculos. A imponente torre desse templo católico, onde foram coroados diversos monarcas, pode ser vista praticamente de qualquer ponto das áreas planas da cidade. Chegar lá é fácil, seja de ônibus, andando ou pelo funicular que a conecta com a parte baixa da cidade. Qualquer uma das opções é garantia certa para se apreciar as belezas deste lado do rio.

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Estátua da Liberdade, em Buda, a olhar para Peste.

Logo ao lado a Colina Gellért, onde estão a Cittadela e a Estátua da Liberdade, a mais famosa dentre as milhares de estátuas, esculturas e bustos espalhados por toda a cidade. Sem dúvida, o melhor local para se observar Buda, o Danúbio, e Peste.

À direita do rio, está a mundana Peste, o centro nervoso húngaro. Plebeia desde sua fundação, é ali que quase tudo acontece. Teatros, bares, restaurantes, boates, praças, parques… a agitação começa e termina em Peste. É de suas margens que se tem a melhor vista das belezas de Buda e, por suas ruas, espalham-se muitos dos famosos cartões postais da cidade. À margem do Danúbio pontifica o parlamento húngaro, a maior edificação do gênero na Europa, com sua esplêndida cúpula e riquíssimo interior. Além de ser a casa do povo, abriga as mais importantes relíquias do país: a coroa e o cetro dos antigos reis magiares, com todas as lendas que os envolvem.

Passear em Peste é muito fácil devido à sua geografia concêntrica e plana. Por ser cortada por diversas linhas de bondes, esse é o melhor meio para se conhecer a cidade rapidamente. A linha 2, por exemplo, segue pela margem do Danúbio, contorna o parlamento e une belíssimas partes da cidade, como os bairros onde estão o Grande Mercado de Budapeste, a Estação Oeste de trens e o Teatro Nacional, atrações imperdíveis, além da vista do lado de Buda.

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Ícones magiares na praça dos Heróis.

Mesmo a pé, Peste é uma cidade atrativa. É tanta beleza que qualquer longa caminhada torna-se imperceptível. Deixe-se levar pelas emoções e aprecie a arquitetura local, que confere a Budapeste outro interessante apelido: Paris do Leste. Um apelido injusto, já que esta cidade tem sua própria beleza e não precisa ser comparada a nenhuma outra.

Peste é uma infinidade de atrações. A Ópera, o Museu Nacional, o Grande Mercado, as estações de trem do Leste (Keleti) e do Oeste (Nyugati), a Grande Sinagoga (a maior da Europa), o gueto judeu, a rua Andrássy, a Basílica de São Estêvão, a Casa do Terror… uma lista quase interminável de lugares imperdíveis, cheios de histórias alegres e, até, horrendas.

No Parque da Cidade (Város Liget) estão algumas das mais impressionantes construções, como a Praça dos Heróis (Hösök Tere), com as belíssimas estátuas dos mais importantes governantes do país, museus e um dos mais bonitos banhos termais da cidade, o Széchenyi. Chegar no parque é fácil, basta uma caminhada pela rua Andrássy, um bulevar que lembra a avenida Paulista no início do século passado, com seus antigos casarões. Ou, se preferir, basta uma rápida viagem pela linha amarela do metrô, o primeiro trem subterrâneo da parte continental europeia.

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Peste, Danúbio e Buda vistos da ponte Margarida.

Entre e Buda e Peste reina o Danúbio, eterno amante de ambas as cidades. Para cruzá-lo, a maneira mais simples, segura e prazerosa, é atravessar uma de suas diversas pontes. Das sete que as conectam, quatro merecem atenção especial e, por serem as mais centrais, são também as mais bonitas. A primeira a ser construída e, talvez, a mais famosa, Széchenyi Lánchíd, ou Ponte das Correntes, aberta em 1849, é um dos mais famosos cartões postais da cidade. Em 1896, surgia a Szabadság Híd, ou Ponte da Liberdade, belíssima com seus parafusos, coloração verde e decorada com várias estátuas de turul, ave símbolo da Hungria. A terceira e mais nova ponte estaiada de Budapeste, a Erzsébet, ou Elisabete, é a mais simples, com uma cor branca que lhe garante maior versatilidade em eventos locais, como a iluminação em cores. Por fim, a Margít Híd, ponte Margarida, que liga Buda à ilha Margarida, e Peste. Reformada há poucos anos, ganhou uma cara nova, com coroas ao longo do caminho.

Além das maravilhas construídas pelo homem, Budapeste oferece ainda atrações naturais. Entre os mais famosos, o rio Danúbio, a ilha Margarida (Margít Sziget) e diversas fontes termais, transformadas em elegantes spas. A cultura das águas é um dos maiores símbolos do país: Budapeste é a cidade com o maior número de fontes termais do planeta. Some-se a isso tradições romanas e turcas de banhos públicos e tem-se um dos melhores lugares do mundo para se tratar com águas medicinais ou apenas para se divertir, faça calor ou frio.

São esses populares banhos que conferem uma característica quase única à cidade. Király e Rudas, heranças da dominação turca, Gellért, o mais luxuoso, e Széchenyi, em seu estilo neo-barroco e com suas piscinas a céu aberto. Imperdível para aqueles que querem mergulhar nos hábitos locais. Para os mais fervidos, alguns desses locais organizam festas noturnas em ocasiões próprias.

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Szechény Spa, um dos mais bonitos da cidade.

Não se pode passar em Budapeste sem conhecer seus cafés e restaurantes. Dos mais modernos estilos aos mais antigos, rocambolescos. Destaque para o New York Café e sua incrementada decoração, e o café da Párizsi Nagyáruház (Casa Paris), bem menor, mas nem por isso menos impressionante, com suas deliciosas tortas.

Os amantes da culinária também se encantarão com a riquíssima cozinha húngara. Colorida e picante, pode ser saboreada nos milhares de restaurantes da cidade. A área mais turística está na praça Liszt Ferenc (Frans Liszt), uma transversal da rua Andrássy. Cafés e restaurantes abarrotam a praça com mesas, guardassóis e umidificadores de ar nos dias mais quentes da primavera ou do tórrido verão. Mais local, a rua Ráday oferece tantas outras opções, o que lhe garantiu o codinome de rua gastronômica. Uma mistura de culinárias internacional e regional num ambiente descontraído e preços mais acessíveis do que os da praça Liszt Ferenc. E também no Nagy Csárnok (Grande Mercado), com suas bancas de comida típica, com destaques para o gulyash, ou gulash, e o lángos, um tipo de massa frita, coberta com os mais diversos ingredientes.

Há também uma outra Budapeste, menos turística, mais húngara. Numa cidade tão internacional, manter a cultura local é um desafio que os húngaros fazem muito bem. Na primavera e no verão, bares pipocam em terrenos baldios ou estacionamentos, cada qual com seu estilo. No inverno, os tradicionais locais fechados são a área de refúgio do rigoroso frio, que pode chegar a 15 graus negativos facilmente. Nessa Budapeste local, há espaço para diversos pequenos cinemas de arte, botecos, e restaurantes populares. Uma caminhada pelas ruas dos bairros menos turísticos é bastante revelador. Destaca-se pela agitação o Erzsébetváros, antigo gueto judeu. Parada quase que obrigatória num dos mais autênticos bares da cidade, o Szimpla Kért. Logo ao lado o bairro Jozséfváros e sua charmosa praça Mikszath Kálman, além de tantas outras atrações.

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Pontes Elisabete e das Correntes ligando as duas partes da cidade.

Uma cidade formada por três outras diferentes, separadas e unidas ao mesmo tempo pelo rio mais romântico da Europa. Ao longo de séculos foi vila, capital de reinos, tomada por turcos, nazistas, comunistas e capitalistas, firmando-se enfim como um dos centros mais elegantes do continente, Budapeste nunca se cansa de encantar seus moradores e visitantes.

Veja mais um pouco de Budapeste ao clicar aqui.

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