As estátuas reinam entre as mais antigas formas de representação artística que a humanidade produziu ao longo das eras e estão por toda parte. Representam religiões, ideais, conquistas, pessoas, animais, contam histórias num silêncio infinito. Tem sido assim há cerca de 40 mil anos, desde a criação do “Homem leão”, a mais antiga estátua encontrada até hoje, nos Alpes alemães. Ao longo de milênios, a paixão humana pela representação de divindades, monarcas, militares, pessoas importantes, santos e animais (ou tudo meio junto) é expressa por formas esculpidas nos mais diversos materiais, da madeira ao cobre, principalmente, por artistas locais e grandes celebridades. Esse costume atravessou as etapas da evolução humana e continua, nos dias atuais, a ser uma forma universal de homenagem e preservação da memória.

Gregos, egípcios, mesopotâmios, romanos e chineses, entre outros, usaram e abusaram dessas figuras. Seja para embelezar as cidades, templos religiosos, casas e jardins, seja, também, para aterrorizar os inimigos. Nos tempos atuais, ganham cada vez mais destaque, sendo quase impossível não avistá-las. Tornaram-se símbolos do orgulho de muitas nações e são responsáveis pelos mais visitados pontos turísticos de cidades como  Florença, Budapeste, Lisboa, Berlim e uma infinidade de outras urbes do planeta.

Dentre milhares, destacam-se aquelas que se tornaram referência das cidades respectivas como o Cristo Redentor, a Estátua da Liberdade, o Manneken Pis e a Pequena Sereia, exemplos cabais de como uma imagem pode tornar-se símbolo de um povo. Mas há outras tantas espalhadas em jardins, palácios, museus, igrejas, e uma infinidade de locações, sempre imóveis, como o mesmo semblante dia após dia, atemporais num mundo que não para de evoluir. Anos se passam e elas continuam firmes em seus postos, contando a história das mais diferentes sociedades nas mais diversas maneiras.

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Pietá, uma das mais conhecidas imagens do mundo cristão.

São referências para os mais conhecidos pontos de encontros de muitas cidades, demonstram alegria e sofrimento, assustam. Seja qual for a finalidade para qual foram esculpidas, dão identidade a fatos e sentimentos. Exemplos não faltam. A Pietá, a mais conhecida estátua cristã, representa a dor de Maria com seu filho morto em seus braços; a imagem parece não se incomodar com a multidão de turistas que param para admirá-la e fotografá-la. Situada na Basílica de São Pedro, na Cidade do Vaticano, expõe tocante serenidade no seu sofrimento. A mais emblemática estátua de Londres, no Reino Unido,  é a de Eros, em Piccadilly Circus. O descontraído e popular ponto de encontro da juventude londrina no centro de uma das áreas mais boêmias da capital britânica, o Cupido envia sua mensagem de amor a todos aqueles que o buscam durante os movimentados dias e noites da região. Símbolo universal do Rio de Janeiro e do próprio Brasil, o Cristo Redentor,  foi eleito uma das sete maravilhas do mundo moderno. Seria até difícil imaginar o mundo sem estas emblemáticas imagens.

Além de homens e divindades, animais sempre foram usados para representarem os mais intrigantes pensamentos e ideias. Presentes no cotidiano da evolução humana, não poderiam deixar de estarem representados com estes poderosos símbolos.  O leão, tradução de força e poder em diversas culturas, talvez seja a imagem mais comum em vários países. Bastante utilizado pela aristocracia europeia, estampa bandeiras e brasões e está sempre atento ao seu redor. Muitos outros animais, contudo, são destaques de estátuas ao redor do mundo. Cavalos, pássaros, ursos, panteras… A lista é grande e varia de acordo com a importância que o animal tem para a cultura local.

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Ave descansando no busto em Szeged, Hungria.

É preciso, porém, cuidá-las, para que a ação do tempo e vandalismos não as destruam ou danifiquem. Chuvas, ventos, neve, poeira, pessoas mal intencionadas e aves, principalmente pombos, são seus piores inimigos. Milhões são gastos para manter a existência dessas obras tão admiradas, causando, não poucas vezes, frustração nos visitantes que, ansiosos por verem a estátua símbolo de algum lugar, deparam-se com locais vazios ou cobertos por andaimes e placas, impedindo a visualização.

Em muitas localidades, porém, a voracidade com que alguns, com ou sem intenção, danificam as estátuas é mais rápida do que o esforço para preservá-las. Se, na maioria dos casos, a ação humana é a grande ameaça, em muitos, as aves, como já dito, são as grandes vilãs, deixando um rastro de ranhuras e fezes, transformando as feições e dando cores próprias aos monumentos. E não há chuva que as limpem. Mesmo assim, as estátuas não se abalam, continuam cumprindo o seu papel de expor a todos a história de um povo.

Assim são as estátuas. Elas não falam nem se movem, mas, em seu silêncio catatônico que pode durar séculos, relatam histórias. Estão lá para isso, preservam nosso passado e nossas crenças e homenageiam os nossos heróis. Contam lendas, recitam poesias. São grandes guardiãs das identidades dos povos. Onde quer que estejamos no mundo, lá estão elas, muitas vezes, imponentes, outras, simples coadjuvantes num emaranhado de símbolos e formas que enobrecem, de forma permanente, a cultura universal.

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Atlas segurando o mundo, representado nesta estátua em Viena, Áustria.

P.S.: Texto publicado, originalmente, no blog Wagau.

 

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