Incontáveis noites no morro do Cruzeiro, regadas a vinho, aquecidas por cobertores e abraços, embaladas por gargalhadas e muita música, melodias que, saindo das cordas dos violões e das vozes já desafinadas, alcançavam apenas as almas dos cantores. Eram levadas pelo vento, mas não eram ouvidas pelos que ali não se encontravam. Lá em baixo, a cidade, embora iluminada, dormia quase que silenciosamente, sem se preocupar com o barulho que os ventos traziam da montanha. Apenas os cães e galos, e alguns amantes mais barulhentos, protegidos pelas paredes das casas, ou pelos vidros dos automóveis, faziam concorrência na sinfonia noturna. Os sonhos se multiplicavam, as esperanças se alastravam por entre as montanhas, e bailávamos em nossa própria ingenuidade. Assim, iam-se as noites frias do inverno na Mantiqueira, agraciadas pelo sorriso das estrelas, pela escuridão da noite e pela tontura juvenil do álcool.

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