Uma das primeiras cidades a serem fundadas na América pelos invasores espanhóis, em 1512, Havana tem uma conturbada história que deixou marcas até os dias atuais. Por causa de seu porto natural na baía de mesmo nome, tornou-se um dos grandes estaleiros espanhóis no Novo Mundo e um dos mais importantes entrepostos comerciais do mar do Caribe durante séculos. Consequentemente, foi cobiçada por praticamente quase todos os impérios navais do Velho Continente, como Holanda, França e Inglaterra. Para proteger esta importante parte, os espanhóis construíram castelos e fortalezas e, assim, inauguravam a história da arquitetura local.

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Catedral de Havana, maior exemplo do barroco local.

Ao longos dos anos, Havana se viu transformada. Foi queimada e praticamente toda destruída por  piratas franceses, reerguida, atacada novamente numa sucessão de eventos intermináveis. Uma cidade que nunca teve muitos momentos de paz. Com a independência, em 1898, após uma sangrenta guerra contra a Espanha, Cuba se viu subjugada pelos Estados Unidos e, somente em 1902, conquistou sua independência de fato. No período entre 1902 e 1958, ano da vitória da Revolução Cubana, o país, embora soberano, sofria com as constantes interferências estadunidenses, garantidas pela Emenda Pllat, que dava ao vizinho norte-americano controle sobre assuntos internos da ilha. Enquanto a política viva em constante ebulição na ilha-nação, o dinheiro proveniente da venda de açúcar, café e tabaco embelezava a cidade.

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Praça Vieja, praticamente toda restaurada, é um dos exemplos da riqueza arquitetônica local.

 

 

Neste contexto, Havana foi erguida sofrendo várias influências arquitetônicas, do barroco espanhol ao modernismo, com exuberantes construções de estilo neoclássico e art nouveau e deco do início do século 20. Esse mistura arquitetônica garantiu à cidade uma beleza única e tornou a capital antilhana uma das mais cobiçadas aos turistas dos Estados Unidos, que lotavam seus recém construídos hotéis e cassinos. Após a Revolução Cubana, outras estruturas foram sendo construídas pela cidade, sob uma forte influência do modernismo.

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Gran Teatro de La Habana Alicia Alonso e sua imponente fachada.

Caminhar pelas ruas da capital cubana é ter uma aula da história da arquitetura. Os vários estilos convivem lado a lado. Havana tem o maior conjunto de casas coloniais da América, além das características construções com marquises, que tornam o caminhar mais agradável nos dias ensolarados e húmidos do Caribe,  e belos arranha-céus erguidos nos períodos pré e pós-comunista. Não é preciso ser especialista para notar os diferentes estilos presentes nas ruas e, sucessivamente, construções que encantam a todos, locais e visitantes.

Muitas edificações não resistiram ao tempo, fruto, em parte, das dificuldades econômicas causadas pelo bloqueio econômico e financeiro imposto pelos Estados Unidos, o que dificulta a obtenção de materiais para restauração, e, em outra, pela falta de capital na ilha. O lado positivo da história no entanto, foi a garantia de conservação devido à ausência de um mercado imobiliário especulativo, que destruiu grande parte do patrimônio em outros países americanos, como o Brasil. Mesmo em péssimas condições, especialmente nos bairros de La Habana Vieja e Centro, o passado arquitetônico cubano foi preservado e Havana, como poucas cidades no mundo, tem uma extensa área considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, título outorgado em 1982. Embora esteja passando por uma fase de renovação, irá levar décadas para que restaure sua anterior opulência. Mesmo assim, a cidade surpreende por sua beleza. O contraste entre o novo e o antigo, as ruínas e os já reconstruídos chega a ser chocante, mas não detém o encantamento de quem os admira.

A criatividade cubana também tem sido fundamental para embelezar Havana. Onde antes havia uma construção, outras estruturas foram criadas. É muito comum ver apenas as fachadas, ainda em pé, e alguma outra coisa atrás delas, como feiras-livres, garagens e pequenas vilas. Nos locais em que nem as fachadas resistiram, surgiram bares e praças, por exemplo. Aos poucos os esforços de restauração estão devolvendo à cidade seus antigos edifícios, seja para ocupação residencial ou comercial. Uma cidade que tenta se reerguer, se reinventar, sem deixar de lado o charme que sempre lhe foi característico.

Sinais de mudança, porém, estão por todos os lados. Placas com aviso de vende-se ou permuta-se são vistas em muitos prédios. Redes hoteleiras internacionais estão abrindo suas unidades, e especuladores de todo mundo voltam os olhos a esse enorme mercado ainda reservado aos cubanos. Ninguém está certo de como essa abertura será feita. No entanto, todos estão cobiçando  esse atraente negócio. 

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