Dolce far niente faz muito mais sentido quando se bebe algo refrescante, na praça Bellini, no centro histórico de Nápoles, e se observa a vida passar num dia quente de verão.  O incessante trânsito de pessoas, carros, motos, adolescentes em suas scooters, num frenético vai-vem, exatamente como descrito em diversos livros sobre o dia-a-dia da cidade. Com 27 séculos de história, a terceira maior metrópole italiana leva seu já costumeiro agitado cotidiano. Seus milênios de conquistas e derrotas, de intercâmbios comerciais, de mesclas culturais, criaram uma urbe vibrante, cheia de contrastes e  fascinante.

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Castelo Nuovo, uma das grandes atrações locais.

Fundada por gregos como Neápolis, Nova Cidade, no século 6 a.C., tornou-se um dos portos mais importantes do mundo antigo, status que mantém até hoje. Patrimônio da Humanidade da Unesco desde 1995, revela seus milênios de história a cada esquina, viela, ladeira, castelo e igreja. Os dias são curtos para tantas atrações e longas caminhadas necessárias a quem deseja conhecer a cidade ao máximo.

Lugar de origem da pizza, talvez, o prato mais famoso do mundo; vizinha de Herculano e Pompeia, e com o vulcão Vesúvio sempre a lhe espiar; a opulência e a riqueza ao lado da pobreza e da violência; sua sangrenta máfia, desnudada pela imprensa e perseguida pela justiça italiana, e ainda ativa nos becos e praças como se nada nunca tivesse acontecido. A vida segue em Nápoles.

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Comércio popular nas ruas do centro.

Devido à intensa atividade de seu porto, um dos mais movimentados do mundo há milênios, Nápoles é uma das principais cidades do mediterrâneo. Cosmopolita por natureza, já que foi uma das responsáveis pela inserção da cultura grega na região e, também, por ser um território conquistado por diversos povos, tornou-se um dos grandes caldeirões culturais da Europa. Atualmente, é uma cidade vibrante, moderna e antiga, rica e pobre, limpa e suja, pacata e violenta. Todos os contrastes lhe pertecem.

O centro histórico é tirar o fôlego. Seja pelas deslumbrantes construções erguidas ao longo dos séculos, em diversos estilos arquitetônicos, pelas íngremes ladeiras e escadarias, ou, ainda, pelo fedor que se alastra por todos os lados. Nápoles é um universo que não deixa olhos e mentes descansarem. São centenas de igrejas, museus, exposições de arte para se ocupar durante o sobe-desce de suas ruas. Milhares de cafés, restaurantes, pizzerias, bares, lojas de artesanato, lembrancinhas, entre outros, compõem a paisagem turística da cidade. Grafites e pixações estão por todas as partes, cada qual transmitindo sua própria mensagem.

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Praça Dante, uma das mais importantes da cidade.

A opulência e beleza de algumas partes esbarram na pobreza e na sujeira de tantas outras. As disparidades sociais locais são quase tão intensas como nas grandes urbes brasileiras. Nápoles tem o maior número de estabelecimentos com estrelas do Guia Michelin e, ao mesmo tempo, é uma das metrópoles mais sujas e violentas da Europa. Luxo e lixo se completam, e se colidem, ali, como em poucos lugares do mundo. É preciso estar atento às maravilhas arquitetônicas que se apresentam uma após outra, mas sem perder de vista quem te observa, já que a cidade é famosa por seus batedores-de-carteira.

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Fonte no centro histórico.

Nápoles, além de apresentar atrativos que requerem tempo e disposição para conhecê-los, é, também, ponto de partida para outras localidades em sua vizinhança. Vesúvio, Herculano e Pompeia são facilmente acessíveis via trem. Capri, a luxuosa ilha, está pertinho, com inúmeras saídas diárias de barcos. As parias nas proximidades são outro chamariz para os quentes e secos dias de verão. A conturbada milenar cidade mediterrânea segue como um dos principais destinos turísticos na Itália. A quantidade e qualidade de pontos de interesse é tanta que é importante administrar o tempo. Ou, simplesmente, aproveitar o dolce far niente ao lado de um refrescante drinque e ver a vida passar em Nápoles.

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Freira lavando pátio interior do convento.

 

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